A forte unanimidade da mídia global
sobre a vitória da candidata Hillary Clinton à presidência dos Estados Unidos
foi algo líquido e certo. Analistas se revezavam em diversos programas
anunciando a derrota fragorosa de Donald Trump, pois, afirmavam que o discurso
de ódio aos latinos e minorias, minariam completamente as chances dele de
alcançar a Casa Branca. Entretanto, o que ocorreu durante a contagem dos votos
a partir dos delegados que deram maioria a Trump a se tornar o 45º presidente
da maior potência mundial? Os fatores são variados, mas, poderíamos dizer que
há uma forte tendência em vários países atualmente de rechaçar os políticos
tradicionais, os mesmos, que pela avaliação dos eleitores não conseguiram
resolver os problemas do desemprego que cresce, os refugiados que ‘invadem’ os
países europeus e os escândalos políticos de corrupção que sugam verbas para
outras áreas prioritárias. Esta é uma tendência que se dá no Brasil, em que
grande parte dos eleitores não escolheram seu representante à prefeitura de São
Paulo, por exemplo, nem se deram o luxo de sair de casa para enfrentar fila no
dia 2 de outubro.
Na França, Grécia e em parte na Alemanha já existem
grupos organizados no sentido de promover um afastamento com relação à União
Europeia, detonando as pretensões da Alemanha em tornar o continente unido por
interesses comuns. A candidata Marie Le Pen da Frente Nacional, partido político
em que convergem partidários do nacionalismo, beirando um fascismo
semelhante ao da década de 1920 e 1930. Isto significa que no ideário desta
frente há a concepção de que os refugiados e estrangeiros não são bem vindos
porque tomam empregos e fazem com que os governos gastem excessivamente que
poderiam ser gastos com o povo do próprio país. Além disso, o medo de uma
cultura diferente, principalmente aquela ligada ao Islamismo em que as pessoas
associam facilmente ao Terrorismo, tanto na Europa quanto
nos Estados Unidos.
Donald Trump do partido Republicano encontrou um respaldo
em parte da sociedade americana quando usou um discurso de ódio e xenofobia
em grupos e áreas em que o desemprego, (Crise de 2008), tornam-se um caldo
suficiente para o aparecimento de demagogos e populistas virem com
soluções práticas para tais problemas. Contudo, quais serão as consequências de
Trump no exercício da presidência dos EUA?
·
Antiglobalização.
·
Perseguição às minorias religiosas
e políticas.
·
Expulsão dos Imigrantes, ilegais ou
não.
·
Protecionismo.
Acredito que o leitor pode compreender os itens dois e
três acima, havendo uma perseguição sistemática a indivíduos que seguem o
islão. Igrejas frequentadas por latinos e hispânicos, de modo geral, já sofrem
com a violência perpetrada por aqueles que se julgam os verdadeiros americanos,
ou seja, a extrema direita americana. Não devemos nos iludir, no entanto, que a
expulsão ocorra apenas com presidentes conservadores republicanos, pois, na administração
Obama, do partido Democrata, 2,5 milhões de imigrantes foram expurgados dos
EUA.
A respeito da antiglobalização podemos sustentar o fato
de que Trump deseja fechar os Estados Unidos para a entrada de imigrantes, que
segundo a sua visão, tomam os empregos do povo americano, e, sobretudo,
deslocar as indústrias norte-americanas da China de volta para a América,
gerando milhares de empregos. Qual o significado disto? O mundo pode ficar cada
vez mais fechado ao fluxo de pessoas de um lugar a outro. Morar em outro país,
como a França e Inglaterra pode ser cada vez mais difícil, pelo fato de o nível
de exigência se torne maior para permanência ou mesmo residir nos Estados
Unidos ou Europa. Sob o aspecto econômico, a antiglobalização se caracteriza
por taxações cada vez maiores de produtos importados, o que acarretaria somas
volumosas de perdas em suas exportações. De qualquer modo, vivemos em um momento
complicado. Precisamos de algum tempo para verificarmos se Trump levará a cabo
todas suas ameaças quando estiver no poder. Quem viver verá.
Professor
Paulo Cesar é professor de Filosofia, Sociologia, História e Atualidades
formado pela Universidade de São Paulo.
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